Gempac e suas ativistas mobilizam uma rede de solidariedade das esquinas!

Respostas potentes à pandemia vem da comunidade e de seus aliados construindo novas estratégias de solidariedade, cuidado e acesso.

Grupo de Mulheres Prostitutas do Estado do Pará, de forma diferenciada inicia seu movimentar em rede desde 1987, sendo fundado no início dos anos 90 na cidade de Belém, protagonizando representatividade em lutas próprias contra a discriminação e violências, e coletivas como o de enfrentamento à exploração infanto-juvenil, tráfico de pessoas, violação de direitos humanos e a pandemia da Aids. Passando de uma instituição de defesa dos direitos das prostitutas da área central de Belém, para ser reconhecido e ampliado a outros setores da sociedade, formatando alianças e ferramentas coletivas.

No dia 01 de maio de 2020, o GEMPAC ao completar 30 anos, não realizou um dia de festa e incidência política por muitas vezes presenciada pela sociedade belemense na esquina mais criativa da cidade das Mangueiras – a Travessa Padre Prudêncio esquina com a Rua General Gurjão, Bairro da Campina, centro de Belém.  

Neste dia, uma das vozes mais potente do movimento de prostitutas brasileiro Lourdes Barreto declara e reforça o mais um novo desafio a esta classe: “Minha voz hoje tá presa… Como ficar em casa? Como trabalhar? Como dizer a uma sociedade na qual construímos coletivamente tantas políticas públicas, que nós precisamos de assistência e cuidado? Que esse vírus mudou a nossas vidas.  Passa um filme das tantas lutas e de outras pandemias que vivemos, nessa tristeza que me pegou o dia, só tenho a certeza, que precisamos continuar”.

Nas ruas impactadas pela medidas necessárias para conter o COVID 19, um retrato da forma avassaladora que tirou dessa classe trabalhadora mais direitos, aumentando suas vulnerabilidades. A experiência histórica do GEMPAC é que a luta por direitos perpassa pela articulação de amplos setores sociais (aliados), entre eles a diversidade universitária, a comunidade de bairro, os grupos de resistência cultural, política e de todos os espaços em que vivem, transitam e reexistem. Suas vozes não podem calar. 

 A rede das esquinas não para!

Assim, na sexta dia 26 de junho de 2020, o GEMPAC e sua rede aliada realizaram mais uma ação de promoção a saude mobilizando suas ativistas, os moradores do Bairro da Campina e entorno na garantia de acesso ao cuidado em tempos de COVID 19.

Em parceira com a Secretaria Municipal de Saúde da Prefeitura de Belem, o CTA Belém e Consultório de Rua entre outros serviços protagonizaram uma rede integrada de medidas de cuidado a saúde como: consultas, escuta e orientações, testagens e vacinas – em diversificadas medidas de cuidado integral e com forte foco a saúde mental, tão impactada nos tempos atuais.

É nesse movimentar feminino, que elas, para além da subsistência de suas famílias e do forte estigma sobre suas vidas são participantes ativas das maiores lutas democráticas no Brasil, articuladas na América Latina e globalmente, formando em rede um dos mais potentes movimentos sociais brasileiros. Elas não param!


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