Puta Dei 2015: um dos melhores que já tivemos!

Largada da Corrida das Calcinhas

Um evento político marcado por muita festa e confraternização. Assim pode ser definido o Puta Dei 2015, comemoração do Dia Internacional da Prostituta promovido pelo Gempac na última terça-feira (2). A programação do Puta Dei, que pretende visibilizar a nossa luta por direitos e dignidade, acontece desde 2012 em Belém e a partir de 2014 se espalhou para outras cidades do país.

A data de 2 de junho é uma referência ao dia em que, em 1975, prostitutas francesas ocuparam uma igreja em protesto à violência policial que sofriam por seu trabalho. Usando esse mote, passamos a também dar o nosso grito contra a repressão nas atividades do Puta Dei. Esse ano, o tema do evento foi #Zerodiscriminação: Junte-se à transformação, inspirado na campanha do Programa Conjunto da ONU sobre o HIV/Aids (Unaids), uma lembrança do quanto as prostitutas são estigmatizadas, assim como outras populações, a exemplo de soropositivos e LGBTs.

Como de costume, o Puta Dei 2015 contou com programação variada, com atividades reflexivas, lúdicas e culturais, sempre tendo como pano de fundo a incidência política. Para Leila Barreto, atual secretária administrativa do Gempac, a ideia do evento é utilizar a comunicação como ferramenta para ajudar no fortalecimento do grupo. “Cada dia que conseguimos abrir nossa sede é uma vitória. Então esse é o momento pra pensarmos proposições para o futuro do nosso grupo”, afirmou.

Tarde: transformações

“Cortejo das Borboletas” até a Praça da República

As atividades do Puta Dei iniciaram à tarde com a “Oficina de Palavrão”, durante a qual se discutiu a origem e o significado de algumas expressões relacionadas à prostituição, sempre ofensivas e pejorativas. Ao falar sobre o termo “filho da puta”, muitas das prostitutas presentes contaram suas histórias de vida e como criaram seus filhos a partir do seu trabalho, uma profissão como outra qualquer.

Depois da oficina, aconteceu o lançamento da nova marca do Gempac, comemorativa dos nossos 25 anos de existência, desenvolvida e apresentada por estudantes de Comunicação Social da UFPA. Logo em seguida, teve o início o Ato do Puta Dei, o momento mais político. Por meio de um carro som estacionado na esquina da nossa sede, vários membros, colaboradores e aliados do Gempac fizeram falas para ajudar na sensibilização dos passantes sobre a importância da nossa militância. Fomos várias vezes parabenizadas pela nossa atuação e resistência ao longo desses anos e lembramos a todos que o movimento de putas busca sempre a união com outros movimentos sociais, pois as lutas são coletivas e interligadas.

Ao final da tarde, fizemos o “Cortejo das Borboletas”, da nossa sede até a Praça da República, com muitas palavras de ordem e manifestações artísticas no trajeto. Um dos momentos mais esperados do Puta Dei, a já tradicional “Corrida das Calcinhas” aconteceu logo após o cortejo e contou com vários participantes em três categorias, masculina, feminina e LGBT, que tiveram que dar uma volta completa na praça, num momento de muita diversão. Os vencedores foram premiados com galinhas e medalhas.

Noite: metamorfoses

Banda Larga.com

A chegada da noite não diminuiu a participação na nossa festa. Nossa sede e nossa esquina continuaram lotadas, com pessoas de todas as idades, gêneros, sexualidades, profissões e classes sociais, em apoio à nossa causa, sempre chamando a atenção dos que passavam pela descontração e irreverência.

Após um novo momento de falas políticas, o grupo musical do Gempac, nossa Banda Larga.com, iniciou o show de músicas autorais com letras de cunho social. O grupo Xibé Dell’Arte Produções Burlescas realizou uma performance intensa sobre a discriminação sofrida pelas putas e a hipocrisia da sociedade. Já o coletivo feminista Vacas Profanas fez sua contagiante batucada, cantando músicas com críticas ao machismo, racismo, homofobia, degradação ambiental, exploração do trabalhador, medicalização da sociedade, entre outros temas, dando um grito que tem tudo a ver com o nosso: “Libertação total das mulheres!”. Ainda tivemos a performance de Sid Manequim e convidados e, como de costume, a apresentação de Cinderela, cantando a música de mesmo nome, de Angela Maria.

Sofia Mezzo e membro do coletivo Vacas Profanas

A mestranda em Psicologia Flávia Câmara foi ao Puta Dei para dar seu apoio às nossas reividicações. “Esse evento é importante pra dar visibilidade à luta pelo reconhecimento da profissão. É um absurdo que as prostitutas fiquem expostas a todo tipo de sorte por não ter essa regulamentação. Todos nós, de uma maneira ou de outra, usamos nossos corpos para trabalhar. Por que a sociedade tenta criminalizar a prostituta por fazer o mesmo?”, questionou.

O artista de rua Pedro Olaia, encarnado na sua identidade trans Sofia Mezzo, foi marcar presença por meio da sua arte. “É importante demarcar o território politicamente pela arte, como por exemplo andando montada assim pelas redondezas. Acho que essa discussão que trago sobre travestis e transexuais tem tudo a ver com a vivência das putas, que estão nas ruas, nas esquinas. Pra mim, puta, travesti, bicha, tá tudo muito próximo, porque o machismo determina isso”, avaliou.

Para Leila Barreto, o Puta Dei 2015 foi um grande sucesso. “Esse evento de hoje foi o maior e certamente um dos melhores já realizamos!”, comemorou. Todas as reflexões e propostas colocadas durante a programação estão sendo sistematizadas no Documento Base do Puta Dei 2015, que será postado por aqui em breve.

Texto e fotos: Assessoria de Comunicação/Gempac

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