Ainda não acabou!

Chegamos no meio da programação do Puta Novembro e a sensação vai muito além de dever cumprido, até porque o conceito de obrigação não combina em nada com os motivos que regem nosso trabalho. As pessoa que colaram aqui no Gempac durante esses dias vieram para somar e fervilharam de forma positiva, crítica e instigante os diversos debates que ecoaram nas paredes da instituição (que, a propósito, assim como diversas entidades que atuam no país, passa por sério problemas administrativos. Culpa da política esmagadora que impõe regras quase inalcançáveis para quem faz militância com pouco dinheiro, mas com muita vontade).

Deixando os pormenores burocráticos e considerando principalmente as trocas humanas que rolaram, até agora só nos restam lágrimas de alegria nos olhos e uma esperança absurda no futuro. Isso por causa de organizações e pessoas, como a galera do Coisa de Negro, do grupo de capoeira “Eu sou angoleiro”, do duo de rap Cronistas da Rua, dos ativistas do Laboratório de Cartografia e de gente do bem, que veio com o peito aberto para as interações.

Durante essa semana que passou, as noites na esquina formada pelas ruas Padre Prudêncio com General Gurjão foram de ginga e som. A meninada da Campina pôde aprender um pouco dos sábios e históricos ensinamentos da capoeira angola. Mestre Bira Marajó e seu grupo fizeram do espaço uma legítima roda convidativa, aceitando as diferenças de sexo e idade. Já os dias, foram marcados por conversas sobre cinema – com a participação já carimbada do Cine Gempac – e por atividades práticas de stencil e colagens, que fizeram todo mundo sair do campo do pensamento para levá-lo diretamente às ruas. O resultado é um vasto material circulando por aí, estampado nas paredes do bairro.

Se pensamos em um retorno à Campina cheia de vida, já entendemos que o processo começa nas ruas, fazendo com os moradores se sintam felizes no espaço que habitam. Mais uma vez, a luz veio naturalmente, com a ação orgânica, entre amigos.

O Puta Novembro surgiu da necessidade de unir vozes por duas datas extremamente importantes que marcam o mês. O dia da Consciência Negra e dia Internacional pela Eliminação da Violência contra a Mulher não devem ser ápices entusiasmados e superficiais, pura catarse. Eles devem ser sentidos e vividos de forma profunda, em busca de mudanças sinceras. Parece que estamos conseguindo mergulhar nas almas das questões. Doamos nosso tempo e criatividade, nossa inteligência e suor, e as coisas não vão parar por aqui. Não há estância estatal que pare nossa vontade. E vamos sempre dar o que melhor do que significa a famigerada expressão “jeitinho brasileiro”, para fazer com que a luta diária e íntima de todos os envolvidos continue.

Bom, ainda temos uma semana pela frente. Neste domingo (25), é dia de unir nossas forças para falar, espernear, nos fazer ouvir por todos os poros sensíveis. Temos muito a dizer sobre a violência física,  moral,  velada e sorrateira que mulheres sofrem por todo mundo, por causa da intolerância e ignorância que tristemente marca a existência da humanidade. Pode trazer tua proposta e vontade para a programação, que começa na Praça da República, às 10h e vai até onde aguentarmos, na sede do Gempac. E depois, ainda tem mais cinema, mais laboratório, mais conversa, mais transa, mais música, mais amor e mais luta nessa esquina tão iluminada.

Cola na gente, que aqui aceitamos todo mundo.

Texto: Luiza Cabral

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