Madame Fanny no PutaDei

Na noite de Gala do Puta Dei, comemorando o dia internacional da prostituta, Lourdes Barreto abusou de sua veia cênica para interpretar um dos nomes mais memoráveis do “Quadrilátero do Amor”, a Madame Fanny que com elegância e charme entrou para a história da cidade como uma grande cafetina.

Quem era Madame Fanny?

Madame viveu o seu auge nas décadas de 50 a 60, como uma cafetina dona de dois cabarés famosos, as casas Long Beach e Miami Beach. Era uma mulher alta, loira, forte, branca, conhecida por ser uma “cearense, de personalidade forte!”. Vivia cheia de jóias de ouro,ostentando sua riqueza. Bebia só uísque ‘Cavalo Branco’ e ‘Grands’. Seu cigarro era importado e seu perfume, francês. Uma mulher fina, que começou como prostituta e se tornou a cafetina mais famosa de sua época.

Em seu cabaré, a maioria das prostitutas que lá trabalhavam eram estrangeiras, o local era frequentado pela classe mais alta da sociedade. A cafetina educava as mulheres para que seus clientes saíssem satisfeitos, pois exigia um comportamento impecável. Eram duas casas que se interligavam, uma com entrada pela travessa Padre Prudêncio e a outra pela rua General Gurjão, no bairro da Campina.

Sua personalidade era contraditória e possibilitava várias interpretações. O tratamento dado às suas prostitutas tinha, às vezes, teor de crueldade. Ela prendia as prostitutas em seu cabaré para que as mesmas não fizessem programas em outras casas, muitas vezes agredindo-as fisicamente. Mas, mesmo assim, para as mulheres que trabalhavam em suas casas, Madame tinha o seu lado bom, como cuidar da saúde das suas meninas.

Lourdes Barreto conviveu com Madame Fanny, morou em sua casa e nos falou que dava bastante lucro para madame, pois 50 % do que ganhava com os programas era do cabaré. Também nos falou de um fato que marcou sua vida, quando engravidou de sua filha Leila Barreto. Madame Fanny tentou obriga-la a fazer um aborto, mas Lourdes se rebelou e não permitiu, hoje sua amada filha é a pessoa que mais lhe ajuda na luta pelos direitos das prostitutas no Gempac. Madame Fanny morreu com câncer na laringe aos setenta anos.

Por Luiza Cabral

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