Nenhum silêncio! É preciso falar: MOSTRA SONORA ZONA DE DIREITOS.

Uma voz feminina, compassada, narra o trágico assassinato de uma “telemoça” morta por três rapazes em 1991. Em outro arquivo de áudio, o tom grave de um homem dá ritmo à notícia que anunciou o crescente número de mulheres associadas ao GEMPAC – Grupo de Mulheres Prostitutas da Área Central, também no início da década de 90.

Bastou alguns minutos na sede do Gempac durante o Puta Dei para que ouvidos desavisados captassem estas e outras 60 notícias relacionadas a prostituição. Na exposição, trechos de matérias veiculadas na mídia brasileira, principalmente na paraense. Assim foi lançada a Mostra Zona de Direitos.

A mostra sonora é resultado do projeto de mesmo nome apoiado pelo Fundo Brasil de Direitos Humanos desde agosto de 2011. A exposição se apropriou do formato em áudio para trazer ao público um panorama real do tratamento dado às questões da classe  pela mídia nos últimos vinte anos. As notícias foram selecionadas através de um processo curatorial, tendo como base o acervo da entidade.

Para a própria classe, a exposição mostra os pormenores do dia-a-dia das prostitutas. Em sua grande parte, as reportagens retratam situações de violências físicas e morais contra as trabalhadoras e indicam também a superficialidade em que estas problemáticas são repercutidas.

Como um recorte à violência exposta – história e avanços conquistados nestes mais de vinte anos do movimento de prostitutas, a mostra sonora surge em contra ponto ao silêncio que perpetua e envolve as violações dos direitos destas mulheres.

Um chamado sonoro que alerta: precisamos resignificar estas conquistas como ferramentas de enfrentamento as violências.

A seguir o texto curatorial da mostra:

TEXTO CURATORIAL

MOSTRA SONORA: Zona de Direitos

GEMPAC – Projeto Zona de Direitos

Fundo Brasil de Direitos Humanos

Belém- Pará- Amazônia Brasileira

02 de junho de 2012

 

ESQUINAS BRASILEIRAS:

Um quadrilátero no centro antigo de nossa Belém. Não importa o lugar, a zona começa onde começa a cidade e nestas vias, prostitutas fazem o desenvolvimento.

Essa mostra desafia, em recortes sonoros, o silêncio!

Traz significados modernos sobre o movimento de putas do Brasil. Armando-se de ferramentas tecnológicas e comunicacionais, viabilizando em ecos profundos a luta por respeito e direito para esta classe.

A violência é feita de silêncios e no cotidiano das putas se perpetua ao negar a sua singular identidade.

Todos os dias a mesma sociedade que vive suas fantasias com esta mulher viola seu trabalho, por isso:

Nenhum silêncio!

É preciso falar!

E para os que fazem a política do Afeto:

Zona de Direitos comunica os fatos.

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